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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27918: Notas de leitura (1913): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (3) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
É elevado o número de oficiais do quadro permanente que neste livro aparecem a conversar com os filhos, e vemos que estas crianças, em situações frequentes, conheceram o internato no colégio militar e no instituto de Odivelas. Os pais tinham uma defesa na sua correspondência, acompanhavam os estudos dos filhos. São bem distintas as histórias que hoje aqui têm lugar.
Abílio Santiago Cardoso fez duas comissões em África que deixaram boa memória aos filhos. A terceira comissão é passada na Guiné, na região de Catió, entre 1967 e 1969. É parcimonioso nas descrições do seu dia a dia, os filhos socorreram-se da história da Unidade para saber mais da comissão do pai. Este veio muito abalado, comentam os filhos, demorou a recuperar. Nenhum dos filhos seguiu a carreira militar, os mais velhos revelaram-se contestatários e chegaram a ser presos na contestação ao regime e à guerra, em meio académico portuense. Amável Velez Serra, mal saído da Escola do Exército, ofereceu-se como voluntário, parte para Angola em 1955. Segue-se a Índia onde ficou prisioneiro, voltará a Angola entre 1963 e 1965. Também nunca escreveu aos filhos sobre a guerra, revelou-se profundamente terno a falar individualmente a cada um dos filhos, busca todos os assuntos, como as prendas de Natal, as aulas de piano e de judo, a catequese. voltará a ser mobilizado em 1970 para Moçambique, e logo a seguir para Angola. Também nunca quis falar com os filhos sobre a natureza das guerras que viveu.

Um abraço do
Mário



Olhe que o pai faz muita falta. Foi com a sua comissão que eu aprendi o quanto custa o estar longe e só e para nós o sofrimento não se compara com o seu – 3

Mário Beja Santos

Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975, por Ana Vargas e Joana Pontes, Tinta da China, 2025, é um livro arrebatador, profundamente terno, e, tanto quanto me é dado de saber, preenche uma lacuna no campo da investigação.

É uma longa série de relatos, as autoras captaram perfeitamente a natureza dos laços afetivos, as contingências que perpassam toda esta correspondência onde é por demais evidente que o militar procure silenciar o mundo da guerra em que vive. É o caso de Abílio Santiago Cardoso que assim escreve: “Meus filhos queridos, não me façam mais perguntas sobre este assunto e peçam a Deus que me ajude a cumprir o meu dever.” Vamos agora falar deste oficial de artilharia que fez três comissões.


Só recentemente é que os descendentes, os filhos e as noras de Abílio e Maria Lúcia, ao desmanchar a casa dos pais, encontraram a correspondência trocada durante a comissão militar na Guiné, entre 1967 e 1969.

Abílio teve a sua primeira comissão em Moçambique, em 1955. Ele e Maria Lúcia casaram por procuração e em Lourenço Marques nasceram os três filhos mais velhos. No regresso, em 1956, a família vai para Penafiel, ficando a viver no quartel, foi aqui que nasceu o quarto filho, em 1961.
A segunda comissão foi em Cabo Verde, Abílio leva a família toda, a comissão deixou boas recordações. Regressam a Penafiel. Em 1967 Abílio é tenente-coronel de artilharia vai comandar o Batalhão de Artilharia nº 1913, vão para o setor S3, com sede em Catió, ali vivem na área controlada pelos militares cerca de 6000 pessoas.


Consta do livro da Unidade a descrição do inimigo: “apresenta-se num setor bem instruído, experiente, moralizado e bastante aguerrido". O filho mais novo acompanha a mãe e vão para a Régua, os outros três filhos ficam internos no Colégio Militar. O pai escreve-lhes incentivando-os no desempenho escolar, mostra-se orgulhosos com os prémios que os filhos gémeos recebem. Numa carta Abílio escreve aos filhos: “É necessário que todos nós, os 6, formemos um bloco unido e pronto a ampararmo-nos uns aos outros seja em que circunstância for e implique os sacrifícios que implicar.” Os filhos gémeos terão na altura 12 anos. Abílio está acerca de um mês em Catió quando escreve esta carta aos filhos mais velhos:
“É a última vez que vos falo da minha atividade aqui. Operações são coisas muito sérias em que morrem a guerrear uns homens que têm pais, mulheres ou filhos ou todos os parentes mencionados. Claro que se esses homens estão do outro lado, lamentamos o facto de nos obrigarem porque eles assim o quiseram. Quando se trata de homens nossos, o problema é muito doloroso.”


Os filhos que irão conhecer a realidade da comissão através do tal livro da Unidade. O Batalhão aposta na ação psicológica e no apoio social. Há população que estava sob o controle do inimigo que se apresenta nos aquartelamentos do Batalhão. Este regressou a 2 de março de 1969. Em combate teve 26 mortos e 137 feridos. Nos tempos subsequentes à chegada do pai a guerra não era tema de conversa. Nenhum dos filhos seguiu a carreira militar. Abílio foi sempre aos almoços de confraternização, era muito querido entre os seus antigos subordinados.

É a vez de falar de Amável Velez Serra, que se alistou como voluntário aos 19 anos de idade. Tinha feito a Escola do Exército, a sua primeira comissão foi em Angola. Casa-se por procuração em 1957 com Maria Julieta Rogado. O primeiro filho nasce um ano mais tarde em Benguela, e no ano seguinte, nasce uma filha em Nova Lisboa, permaneceram em Angola quatro anos.

Em 1961, Amável, já como capitão, é mobilizado para a Índia, a família acompanha-o. Pouco antes da invasão pela União Indiana, a mãe regressa com dois filhos e grávida do terceiro. Amável é preso. Regressa e é novamente mobilizado para Angola, a partir desta terceira comissão a família não acompanha o pai. Amável ficará em Angola entre 1963 e 1965, receberá a visita da mulher e do filho mais novo.

Em 1966, começa em Évora a constituição do Batalhão de Caçadores n.º 1903, Amável vai novamente para Angola, vão para Zau-Evua, há uma grande dispersão da população por sanzalas, grande parte da população fala português. Seguem-se outras deslocações, o Batalhão regressa em junho de 1969. Durante estes dois anos de ausência, Amável nunca escreveu aos filhos sobre a guerra, fala sempre do quotidiano dos filhos, é muito terno na escrita.

Amável voltará a ser mobilizado em 1970, para Moçambique, onde ficou mais dois anos. E logo a seguir para Angola onde se encontrava quando se deu o 25 de abril. Os filhos não encontraram correspondência que o pai tivesse enviado destas comissões, embora recordem que ele escrevia com regularidade, sobretudo os pais entre si, e também os filhos recordam que o pai nunca falou de situações pelas quais tivesse passado durante o período em que esteve mobilizado, nem sequer do tempo em que esteve preso na Índia, nem mesmo com o filho mais novo, que seguiu a carreira militar.

Itinerários diferentes são o que iremos reportar a seguir, envolvendo Carlos Alberto de Oliveira e Lemos, Oficial da Marinha, que deixou uma correspondência singularíssima, e de Pedro João dos Santos Reis, Oficial da Arma de Infantaria. Recordamos ao leitor que estamos a passar em sequência a correspondência entre pais mobilizados e os seus filhos menores durante a Guerra Colonial. Em aerogramas escritos e desenhados, o militar vai desempenhando o seu papel de pai. Os filhos, por seu lado, consoante a idade, vão respondendo da maneira que conseguem, por vezes a com a ajuda das mães. Esta troca de correspondência oferece-nos uma reflexão muito particular sobre a ideia de família numa sociedade em mudança.

Ana Vargas e Joana Pontes

(continua)
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Notas do editor

Vd. post de 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27894: Notas de leitura (1911): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (2) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 10 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27909: Notas de leitura (1912): Um manjar para filatelistas acérrimos: "Os Selos Coroa da Guiné" (Mário Beja Santos)

sábado, 11 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27913: Os nossos seres, saberes e lazeres (730): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (251): Uma sonata para a primavera, imagens para canonizar a terra úbere e um marionetista genial (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 24 de Março de 2026:

Queridos amigos,
A primavera irrompeu entre horas de chuvisco, um céu de chumbo ou acinzentado e aquelas nesgas de luz que confiámos que iriam perdurar. Importava ver o estado do casebre do Reguengo, para o qual há já uma perspetiva de conservação e restauro, e não resisti a ir ver o jardim, cheguei pachorrento e sem nenhuma vontade de, no mínimo, arrancar ervas ou limpar bolores. Quem diria que me esperava um festival de cor? E até as árvores de fruto resistiram aos temporais, é isso que se mostra em primeiro lugar. Andava há meses para ir visitar a exposição de um marionetista nascido no Bombarral e com obra consagrada, José Carlos Barros, nome sonante nesta dimensão teatral. E não escondo que, de forma subliminar, vos convido a visitar este deslumbrante Museu do Bombarral.

Abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (251):
Uma sonata para a primavera, imagens para canonizar a terra úbere e um marionetista genial


Mário Beja Santos

Voltei ao meu casebre no Reguengo Grande, impunha-se a avaliação dos estragos e desgastes maiores, incidências do temporal. Haverá a revisão dos telhados, há alguns bolores pelas paredes, cheguei em hora ensolarada, escancarei janelas, vou deixar para mais tarde a avaliação inadiável, mais tarde ou mais cedo tenho de pôr janelas e portas novas, enfim, despesas que não se compadecem com as guerras em curso e as que mais virão. Vou até ao muro contemplar o estado do vale, e não resisto a maravilhar-me com um dos pessegueiros dos meus vizinhos de baixo, começou a cantilena da explosão primaveril. Açodado pelo presente que a Natureza trouxe, desço até ao jardim pedregoso, respiro de alívio porque a glicínia já tem algumas folhas, os jarros estão imaculados, as frísias andam desvairadas, crescem anarquicamente, as laranjeiras estão murchas, tudo se perdeu com os temporais, mas também não regateiam surpresas, há sinais de nova vida. Pois bem, partilho convosco um jardim que não é de Éden, tem laborioso historial, é mais do que certo e seguro que os ancestrais do meu vizinho Henrique removeram muita pedra para que aqui houvesse coisas de alimento doméstico. E lá vou lampeiro, concelebrar a chegada da primavera, pelo calendário começa amanhã, aqui anunciou-se mais cedo.
Pessegueiro em flor, ao fundo um vale que promete um opíparo batatal
O que deu a estas frísias tresloucadas para ter nascido onde ninguém pensou plantá-las?
Há alecrim espigado, este é rastejante, não me passou pela cabeça metido entre duas pedras possantes irromper-se tão pujante e assim florido
Estas sim, frísias disciplinadas, hastes levantadas, parecem um contingente militar
O que estão a ver é uma infestante, é um deslumbramento de cor, nunca morri de amores pelos tons lilases e roxos, mas este conjunto de uma planta que tem um nome estranhíssimo, massaroco, é um regalo para os olhos, lamentavelmente terá vida curta
É o fim do dia, quando dou com estas negas de luz, promissoras de um radioso dia seguinte, dou comigo a pensar numa situação que vivi nos finais da década de 1990, num bairro de Bruxelas, chamado Ixelles, vinha de uma reunião, um tanto apressado, avião de regresso pelas nove e meia da noite e queria ainda fazer compras, nisto paro em frente a uma casa de antiguidades que anunciava liquidação, deu-me para ficar pasmado com uma peça de loiça alemã, Meissen, a proprietária veio cá fora, em preço de liquidação eram 2.500€, agradeci muito, a senhora convidou-me a entrar, para não entrar em pormenores saí dali ajoujado com uma aguarela metida numa bela moldura, o tema é de uma paisagem eriçada tendo ao fundo uma casinha com uma luz acesa numa janela, escusado é dizer que o valor metafórico que mesmo nos piores momentos a esperança nunca morre. O fundamental é que entrei num avião da TAP empunhando uma moldura de respeitoso tamanho, um saco com víveres e uma maleta com as coisas próprias de quem anda uns dias fora de casa. Quem não gostou da brincadeira foi uma hospedeira que me disse à saída do avião que jamais esqueceria as vezes sem conta que tinha andado com aquele quadro em bolandas para servir o catering. O que interessa é que às vezes ando com o juízo toldado e tudo se altera quando me ponho diante deste quadro que tenho à entrada de casa e que comprei impulsivamente numa loja em liquidação na rua Dublin, um companheiro para toda a vida, tal como aquela luz que eu avisto do casebre do Reguengo Grande.
O cavalo de Troia
Fui ao Museu do Bombarral visitar uma exposição intitulada Marionetas Fora de Cena, de José Carlos Barros, pode ser visitada até 7 de junho deste ano. É uma amostra que reúne um conjunto de marionetas concebidas por este consagrado artista bombarralense. Entre metais como zinco, cobre ou latão e materiais mais delicados como papel e cola, assombra imediatamente a imaginação deste artista multifacetado. José Carlos Barros iniciou o seu percurso na década de 1970, trabalhando como cenógrafo, aderecista, figurinista e marionetista. Foi um dos fundadores do Grupo de Fantoches de Perna de Pau, em 1985 criou a Associação Marionetas de Lisboa. No seu contributo para o teatro português estende-se ainda ao Teatro Nacional D. Maria II, onde foi chefe do setor de adereços, e à direção do Teatro da Trindade, além da docência como professor coordenador do curso de Design de Cena da Escola Superior de Teatro e Cinema. É indiscutivelmente um dos mais originais criadores de marionetas, e foi um revitalizador desta dimensão teatral. A exposição permite-nos descobrir várias das suas marionetas, o seu particular detalhe e expressões, pois cada um dos exemplares foi ajustado para cada espetáculo e as suas expressões adaptadas a cada personagem adaptada.
Peitoral e Máscara. Materiais: fibra de vidro, ferro, latão, plástico, têxteis e madeira, fez parte do espetáculo Desgraças de 2008, foi exibido no Festival Internacional de Títeres, Segóvia, 2008.
Grande sala onde se expõe uma gama de marionetas onde não faltam fabulosas figuras de bestiário
Imagens de marionetas usadas no Auto da Barca do Inferno
Não é a primeira vez que aqui refiro a excelência do Museu do Bombarral. Sempre que visito, é inescapável demorar-me numa sala denominada Formas, estão aí obras de arte de artistas bombarralenses que cultivaram o neorrealismo, houve mesmo uma fábrica de cerâmica e nela trabalhou um dos grandes nomes da arte contemporânea portuguesa, Júlio Pomar, ele foi atraído pela arte da cerâmica, deixou peças luminosas, como aquelas que estão expostas no Museu. Nesta sala se recorda Jorge de Almeida Monteiro (1908-1983), ele fundou em 1944 a fábrica de Cerâmica Bombarralense Limitada, nesta empresa criou-se uma linha criativa que atraiu para o Bombarral artistas neorrealistas, foi o caso de Álvaro Perdigão, Júlio Pomar ou Alice Jorge. Foi graças a esta colaboração que a Cerâmica Bombarralense surgiu em várias Exposições Gerais de Artes Plásticas. Prometo a quem visitar o Museu do Bombarral que todo este acervo jamais se esquecerá além de que o Museu é museograficamente de uma grande beleza.

Visitei esta exposição no dealbar da primavera, é por isso que a ponho em consonância com a surpresa que o meu jardim zen me dera na véspera.

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Nota do editor

Último post da série de 4 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27889: Os nossos seres, saberes e lazeres (729): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250): Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais (Mário Beja Santos)

Guiné 61/74 - P27911: Agenda Cultural (888): Convite para a cerimónia de apresentação do livro "Guiné, Bilhete de Identidade. Tomo II – Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", de Mário Beja Santos, a levar a feito no próximo dia 21 de Abril de 2026, pelas 17h30, na Biblioteca da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. A obra será apresentada por António Duarte Silva e Eduardo Costa Dias.



Sinopse

A mais indefinível possessão portuguesa ganhou finalmente nome: Guiné.

Admitindo que navegadores portugueses aqui arribaram em finais da primeira metade do século XV, este espaço conheceu uma enormidade de nomes, desde Etiópia Menor, Guiné do Cabo Verde, Grande e Pequena Senegâmbia e muitos mais. Até que, em 1886, passou a chamar-se Guiné Portuguesa, e com menção constitucional. O livro aborda a história desta possessão de meados do século XIX e meados do século XX, um território que tinha praças e presídios, dependente de Cabo Verde; todas as companhias comerciais se tinham malogrado; foi preciso a comoção de um desastre militar num local chamado Bolor para, em 1879, se ter determinado a sua separação de Cabo Verde; estabeleceu-se uma capital em Bolama, mas a presença portuguesa manteve-se ténue, junto dos rios e rias. No final do século XIX, chegou a admitir-se a entrega da colónia a uma companhia majestática.



MÁRIO BEJA SANTOS

Biografia

Toda a sua vida profissional, entre 1974 e 2012, esteve orientada para a política dos consumidores. Ao nível da sua participação cívica e associativa, mantém-se ligado à problemática dos direitos dos doentes e da literacia em saúde, domínio onde já escreveu algumas obras orientadas para o diálogo dos utentes de saúde com os respetivos profissionais, a saber: Quem mexeu no meu comprimido?, 2009, e Tens bom remédio, 2013. Doente mas Previdente, dá continuidade a esta esfera de preocupações sobre a informação em saúde, capacitação do doente, o diálogo entre os profissionais de saúde, os utentes e os doentes.


(Com a devida vénia a Bertrand Livreiros)
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Nota de Mário Beja Santos:

A cerimónia de apresentação do livro será abrilhantada com uma actuação de Braima Galissá
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Notas do editor

Vd. post de 19 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27836: Antologia (101): "Guiné, Bilhete de Identidade, Tomo II, Da Pequena Senegâmbia à Guiné Portuguesa", a publicar brevemente (Mário Beja Santos)

Último post da série de 7 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27896: Agenda Cultural (887): Apresentação do Catálogo "O Movimento das Forças Armadas e o 25 de Abril", dia 9 de Abril de 2026, pelas 18h00, na Associação 25 de Abril, Rua da Misericórdia, 9 - Lisboa

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27909: Notas de leitura (1912): Um manjar para filatelistas acérrimos: "Os Selos Coroa da Guiné" (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 11 de Janeiro de 2026:

Queridos amigos,
Como o meu interesse filatélico é praticamente nulo, os aficionados que tiverem a paciência de ler esta narrativa me perdoem se nela houver alguma besteira. Encontrei este livro no alfarrabista, era irresistível a sua aquisição, creio que nunca falámos da filatelia guineense, nomeadamente deste período de transição da dependência da Cabo Verde até ao estado de Província autónoma. Os primeiros governadores, impossibilitados de terem selos próprios emitidos pela Casa da Moeda ou pela Imprensa de Bolama, recorreram aos selos Coroa de Cabo Verde sobrecarregando-os do termo Guiné em minúsculas e em maiúsculas, Guiné pequena e Guiné grande. O General Oliveira Pinto, autor da obra, faz um resumo histórico entre 1879 e 1897, estudou a fundo toda a documentação atinente que encontrou no Arquivo Histórico Ultramarino, dá-nos conta das discussões havidas entre filatelistas e tira as suas conclusões. Estou ciente que trouxe a público um assunto que interessa a poucos, mas a Guiné aqui é estudada sem pensar em maiorias ou minorias.

Um abraço do
Mário



Um manjar para filatelistas acérrimos:
Os Selos Coroa da Guiné


Mário Beja Santos

Este livro intitulado "Os Selos Coroa da Guiné", muito provavelmente só terá interesse para os filatelistas, sobretudo aqueles que colecionam selos das antigas colónias portuguesas, mas creio que as informações que se dão sobre a história destes selos poderão interessar a muitos mais. 

Diz-se no prefácio da obra que se vai procurar provar que as raras “Guinés” pequenas terem sido as primeiras a aparecer sobre os selos Coroa de Cabo Verde, que tradicionalmente circulavam na Guiné sem sobrecarga, isto em primeiro lugar. Mas o autor, o General Oliveira Pinto, deixa uma síntese histórica do território e revela aspetos interessantes da História Postal; o livro inclui a documentação que o autor pesquisou no Arquivo Histórico Ultramarino sobre o assunto.

Logo nas generalidades, o General Oliveira Pinto recorda que até junho de 1941 todos os catálogos, nacionais e estrangeiros, sem exceção, mencionavam os selos da emissão Coroa com a sobrecarga Guiné pequena como os primeiros selos a circular na Guiné depois da sua autonomia em relação a Cabo Verde, e só depois os de sobrecarga Guiné da Casa da Moeda, sobrecarga vulgarmente conhecida como Guiné grande. 

Como sou ignorante no tema, fui bater à porta de uma loja filatélica para saber o significado do que são selos Coroa, Guiné grande e Guiné pequena e sobrecarga. Os selos Coroa é um termo para todo o selo que incorpora no espaço central a Coroa régia, Guiné pequena, como se pode ver na capa da obra, inclui a impressão de Guiné em letras pequenas e Guiné grande em letras maiores, sobrecarga é o significado da impressão sobre um selo já existente, tanto em Guiné pequena como em Guiné grande.

Ficamos a saber que o 2.º Governador da Guiné, Pedro Inácio de Gouveia foi quem, em meados de 1882, por faltar em Bolama selos de várias taxas, das de sobrecarga Guiné, em grandes caracteres, mandara sobrecarregar com a mesma palavra, em caracteres mais pequenos e na Imprensa do Governo da Província uma certa quantidade de selos de Cabo Verde, que existiam em cofre, ainda do tempo em que a Guiné não era Província autónoma.

A discussão entre filatelistas sobre o aparecimento dos primeiros selos com a sobrecarga Guiné tem em consideração depoimentos da época. Vivia nessa altura na Guiné um inglês de nome John Marsden, que era da opinião que os Guiné pequena tinham sido os primeiros, portanto os Guiné pequena apareceram em 1879 e os Guiné grande circularam entre 1881 e 1884. Sabe-se igualmente que foram dadas ordens à Casa da Moeda para providenciar selos com a legenda Guiné Portugueza.

Passando adiante ao resumo histórico sobre a Província da Guiné, o autor dá-nos a relação das casas comerciais aí existentes em 1881, as empresas francesas com destaque, temos depois um acervo de imagens de documentação que o autor analisou no Arquivo Histórico Ultramarino, aparece depois a Imprensa na Guiné, a sua principal responsabilidade era tipográfica, a publicação regular do Boletim Oficial da Província da Guiné. 

Temos depois o elenco das remessas de selos, a partir de 1879 onde podemos ver claramente a sobrecarga de Guine pequena. A partir de 1884 os selos vão ter a efigie de D. Luís I, mas durante um bom lapso de tempo a Casa da Moeda foi satisfazendo as requisições da Guiné com os selos tipo Coroa, terá sido uma situação que se arrastou até 1886 ou mesmo 1887.

O autor discreteia sobre os correios na Guiné, como os selos e postais existiram em Bissau, Cacheu, Bula, Geba e Farim. Havia diretor dos correios nomeado em 1879, tinha a designação de Superintendente dos Negócios Postais da Guiné; tecem-se breve considerações sobre os serviços dos correios, fica-se a saber que o correio estava instalando no mesmo edifício da alfândega e assim o autor chega às conclusões: 

“Os selos Coroa, que começaram a sua circulação na Guiné em 1879, deviam ter terminado em 1886, quando começaram a circular os selos com a efigie do monarca.” 

Tinham sido proibidos todos os selos Coroa para Lisboa. Acontece que as contas da Alfândega de Cacheu, na listagem dos selos existentes em 1891, eram referidas estampilhas antigas de 40 e 100 reis, o que é o mesmo que o tipo Coroa.

O autor dá-nos algumas notas sobre John Marsden (1857-1939) como filatelista. Ele viveu em Bissau na época em que ainda circulavam os selos Coroa. Era um filatelista de fama mundial, quando vendeu a sua coleção de selos de Portugal e colónias ela foi considerada a maior do mundo naquela época. Podemos ver na imagem um seu retrato publicado no Boletim Oficial n.º 27, de 4 de julho de 1885. Esteve na Guiné um pouco mais de um ano, teria então 28 anos. Elaborou catálogos e colaborou com revistas de renome. Os seus artigos publicados em jornais e revistas da especialidade eram tidos como fundamentais. No jornal Le Timbre Poste deu conta dos selos existentes na Guiné:

“Quando cheguei a Bissau e depois a Bolama, eu procurei saber nos Correios e em toda a parte e verifiquei para minha surpresa que ninguém tinha visto ou ouvido falar destas sobrecargas pequenas. Até o Governador da Província, cuja esposa era colecionadora de selos, não tinha ouvido falar neles.

Considerei aquela compra um mau negócio e cheguei à conclusão de que eram falsos, até que numa manhã cedo, meses depois, quando saí com a minha arma, passeando ao longo da praia em Bissau, eu vi um pequeno envelope enrolado nas ondas, e para minha satisfação vi que ele tinha no verso um selo de 20 reis e outro de 5 reis, ambos com a sobrecarga pequena e o envelope era dirigido ao padre de Bissau. Eu conhecia-o muito bem e tinha-o ajudado a tratar-se durante um par de dias quando ele estava a sofrer um forte ataque de febre.

Quando lhe mostrei o envelope e lhe disse o que queria, respondeu: ‘a carta era do meu amigo Cleto da Costa, o Chefe dos Correios de Cacheu’. Não perdi tempo a enviar a Cacheu mensageiro, três dias de jornada, pedindo-lhe para me enviar um selo de cada taxa que ele tivesse no correio. Quando em abril de 1881, o Governo recebeu o primeiro fornecimento de selos com a sobrecarga grande, todos os outros existentes em Bissau e Bolama sem sobrecarga, foram sobrecarregados em pequenos caracteres na Imprensa do Governo e enviá-los para Cacheu onde ficaram esquecidos até eu os descobrir.”


Outro filatelista contesta as afirmações de Marsden, não me sinto habilitado a saber qual o rigor dos argumentos de uns e outros, mas o autor nas conclusões volta a falar de Marsden dizendo que este chegou à Guiné em 1884, portanto cinco anos depois de terem feito as sobrecargas que estavam em circulação. 

No fundo, as autoridades da Guiné pretendiam tornar os selos diferentes dos de Cabo Verde, para poderem fiscalizar as receitas, logo sobrecarregando-os. Diz o autor que desconhece com que fundamentos Marsden, que começou por considerar a emissão dos Guiné pequena em 1881 veio depois a alterar, e bem, essa data para 1889.

O autor procede a um resumo dos pontos de vista de alguns filatelistas que já escreveram sobre a ordem cronológica das emissões, caso de Faustino António Martins, Carlos Trincão, Carlos George, Pires de Figueiredo, Vitorino Godinho. E assim se chega às conclusões finais quanto à cronologia das emissões dos selos da Guiné com as sobre cargas Guiné pequena e Guiné grande. Conclui o autor que a primeira emissão com selos da Guiné como Província autónoma foi a emissão com sobrecarga pequena.

Peço desculpa ao autor se acaso o estou a enfastiar com as considerações feitas pelo General Oliveira Pinto neste seu livro editado em junho de 2003 e que deve ser uma preciosidade para quem sente a devoção filatélica.

Página de bilhetes postais inseridos no livro Os Selos Coroa da Guiné
Folha completa dos 100 reis Guiné pequena
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Nota do editor

Último post da série de 6 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27894: Notas de leitura (1911): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (2) (Mário Beja Santos)

quarta-feira, 8 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27900: Historiografia da presença portuguesa em África (524): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1966 (82) (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 16 de Outubro de 2025:

Queridos amigos,
Recordo-me quando cheguei à Guiné em 1968 ainda se falava numa explosão lá para os lados de Farim, uma barbaridade, ato insólito praticado por um grupo do PAIGC, não era prática corrente na guerrilha guineense lançar explosivos no meio de uma festa. Segundo os louvores dados pelo Governador Schulz, os agentes da PIDE que ali se deslocaram contaram com a colaboração da tropa local. Perguntará o leitor porque é que louvores desta natureza vêm no Boletim Oficial e não nos boletins das Forças Armadas. Acontece que a PIDE não estava enquadrada nas Forças Armadas, é a razão pela qual o Boletim Oficial regista a chegada e partida dos agentes da Polícia Política. O Governo central cede dezenas de milhões para financiar os planos de desenvolvimento. Fala-se neste ano de 1966 no contrato de concessão para a pesquisa e exploração de hidrocarbonetos na Província da Guiné, é esperável que tenhamos acesso ao desfecho desta missão. Criam-se novos grupos desportivos, caso da ANCAR e da SACOR, cria-se uma cooperativa de pesca em Bolama. E foi criado o Batalhão de Caçadores-Paraquedistas n.º 12, na dependência do Comando da Zona Aérea de Cabo Verde e Guiné.

Um abraço do
Mário



Província da Guiné Portuguesa
Boletim Oficial da Guiné, 1966 (82)

Mário Beja Santos

O que mais me impressiona na leitura do Boletim Oficial destes anos tumultuosos é a tentativa de uma grande discrição, a Guiné vive em apuros, mas teima-se em silenciar os factos, nesta altura a Província vive uma tempestade demográfica, mas quem lê o Boletim Oficial precisa de ler nas entrelinhas os acontecimentos.

Talvez para benefício do leitor, dá-se o rol dos acontecimentos e fazem-se as citações necessárias. Logo no Boletim Oficial n.º 1, de 3 de janeiro, o Governador Schulz dá louvores a dois agentes da PIDE, aqui sim, convém transcrever logo:
“O atentado terrorista, levado a cabo em 1 do passado mês de novembro, na tabanca de Morocunda, em Farim, por elementos então desconhecidos, motivou a deslocação de uma brigada da PIDE àquela vila, a fim de se proceder às averiguações necessárias para a descoberta dos criminosos.
Foram árduas e extremamente difíceis as investigações, não só pela falta de indícios, como também pelas massas autóctones, em estado de choque devido à explosão e seus efeitos, se recusara a prestar declaração, o estar convencida que o atentado fora perpetrado por brancos.
Só houve a suavizar as dificuldades criadas por meio tão hostil, a franca e leal colaboração dada pelas tropas locais, a cujo apoio moral e material se deve, em grande parte, o êxito obtido.

Foram estas que nos cederam os locais para concentrar os detidos por suspeita e as dependências para os interrogatórios, alimentaram os presos e ainda facilitaram a nossa tarefa muito contribuindo para a descoberta dos criminosos.
A atuação do pessoal desta Polícia, também merece especial relevo dado que foi graças ao seu inexcedível zelo, competência, espírito de sacrifício e vontade de bem servir, que se descobriram os autores do crime e uma vasta e bem organizada rede de elementos do PAIGC que tudo prepararam e mais projetavam fazer.”

Em sequência, foram louvados um chefe de Brigada e quatro agentes de 2.ª classe, que vêm perfeitamente identificados no Boletim Oficial.

No Boletim Oficial n.º 2, de 8 de janeiro, publica-se a Portaria n.º 1767, que estipula que durante o ano de 1966 é autorizada a isenção de direitos na importação de arroz. Em termos nacionais, o Governo decidira melhorar os vencimentos dos militares do Exército, Armada e Força Aérea. Dá-se igualmente reforço de verbas inscritas na tabela de despesa do orçamento privativo das forças terrestes ultramarinas em vigor na Província da Guiné. Ficamos a saber que pelo Decreto-Lei n.º 46826 foi instituído o Serviço Postal Militar; também pelo Decreto n.º 46796, do Ministério do Ultramar, é aprovada a renovação do contrato para pesquisa e exploração com a Esso Exploration Guiné Inc., celebra-se um novo contrato que consta no Boletim Oficial n.º 6, de 5 de fevereiro.

Igualmente merece destaque o contrato de empréstimo à Província Ultramarina da Guiné para a execução de empreendimentos previstos no Plano Intercalar de Fomento. Vale a pena dar conta de como se previa a aplicação destes recursos financeiros oriundos de uma receita extraordinária, provenientes do empréstimo a conceder pela metrópole: conhecimento científico do território; investigação científica; estudos de base; agricultura, silvicultura e pecuária; pesca; energia; indústria; transportes e comunicações; turismo; habitação e melhoramentos locais; promoção social. Tudo somado: 40.000.000$00.

Voltando ao contrato de concessão com a Esso, talvez valha a pena dizer que a concessão tinha por objeto o direito de pesquisar e explorar, à custa do concessionário, em regime de exclusivo, todos e quaisquer jazigos de hidrocarbonetos sólidos, líquidos e gasosos, incluindo petróleo, nafta, ozoquerite, gases naturais e asfalto, e ainda enxofre, hélio, anidrido carbónico e substâncias salinas; obviamente que se define a área de concessão que teria um período inicial de cinco anos.

No mês de abril, conforme consta no Boletim Oficial n.º 17, de 23 de abril, constitui-se a Cooperativa de Pesca de Bolama, diz-se mesmo no preâmbulo do despacho do Governador:
“É de todos conhecida a enorme riqueza ictiológica das águas interiores e fluviais da Província da Guiné. Dos cursos fluviais de maior riqueza ictiológica destaca-se o rio Grande de Buba em cujo troço designado por Ria de Buba, entre a foz do rio Lenguete e a ponta Nalu, abundam várias espécies ictiológicas comestíveis, tais como a bicuda, o barbo, a taínha, a corvina, etc.
Dos portos nas proximidades da Ria de Buba o porto de Bolama é aquele que oferece, sem sombra de dúvida, melhores condições para enxurrar as embarcações com mais recursos do que se refere à possibilidade de uma regular manutenção tanto das embarcações propriamente ditas como dos respetivos equipamentos propulsores.”

Estabelece-se a natureza, os fins e sede da sociedade.

No Boletim Oficial n.º 19, de 7 de maio, pela Portaria n.º 1803, aprovam-se os estatutos do Grupo Desportivo, Recreativo e Cultural ANCAR. Ficamos a saber que foi fundado pelos empregados, assalariados e simpatizantes da Firma António Augusto de Carvalho, a coletividade tem a sua sede em Bissau e as suas finalidades são, para além das modalidades desportivas, a organização de cursos de ginástica, excursões, criação de uma biblioteca técnica, realização de palestras, conferências e exposições, o resto dos estatutos mostra a afinidade com a estrutura de todos os outros.

Disse-se inicialmente que se procura o máximo de discrição quanto às dificuldades económico-financeiras, elas vão sendo desveladas pingo a pingo.

No Boletim Oficial n.º 30, de 23 de julho, a Portaria n.º 22107 determina que o Governo da Província Ultramarina da Guiné abra créditos destinados a suportar determinados encargos provenientes de objetivos previstos no programa de financiamento do Plano Intercalar de Fomento, e destacam-se as rúbricas envolvidas: regularização do abastecimento interno do pescado; portos e navegação; educação; meteorologia; fomento dos recurso agro-silvo-pastoris; aproveitamento dos meios de obtenção de água doce; transportes rodoviários, aéreos e aeropostais, etc. O Boletim Oficial n.º 33, de 13 de agosto, pelo Decreto n.º 47132 autoriza o Governo da Província a contrair no Banco Nacional Ultramarino, um empréstimo, em moeda local, até ao montante de 12 milhões, destinado a ser aplicado em obras inscritas em planos de fomento.

Já estamos em setembro, no Boletim Oficial n.º 36, de 13 de setembro, são aprovados os estatutos do Grupo Desportivo e Recreativo do Pessoal da SACOR.

No Boletim Oficial n.º 45, de 5 de novembro, temos a Portaria n.º 22260, da Presidência do Conselho e Ministério do Ultramar é constituído o Batalhão de Caçadores-Paraquedistas n.º 12. No Boletim Oficial n.º 48, de 26 de novembro, pela Portaria n.º 1849 voltamos à candente questão do reforço de verbas, será assim até ao fim do ano.

Procurando refletir conjuntamente com o leitor, subjaz a grande questão dos meios económico-financeiros que foram postos por Lisboa à gestão do Governador Schulz, é bem percetível de toda esta avalanche de reforço de verbas de que a economia guineense ainda não está exangue, mas deu-se uma reviravolta nas receitas fiscais, nas taxas aduaneiras, lê-se permanentemente no Boletim Oficial que há nomeações, e da leitura que estou a fazer do Boletim Oficial de 1967 já faltam candidatos para os postos administrativos, a dissuasão é dado pelo alastramento da guerra de guerrilhas. Não deixo de insistir que a dilucidação de todo este período da governação de Schulz aguarda uma tese de doutoramento.

General Arnaldo Schulz
O Subsecretário de Estado do Fomento Ultramarino, Rui Patrício, visita a Guiné em abril
Felupe em traje festivo
Tecelão Manjaco
Dança Manjaca
Rapariga Manjaca tatuada
Tocadores Fulas

Estas cinco imagens são retiradas do Boletim Cultural da Guiné Portuguesa de 1966

(continua)

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Nota do editor

Último post da série de 1 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27879: Historiografia da presença portuguesa em África (523): A Província da Guiné Portuguesa - Boletim Oficial da Colónia da Guiné Portuguesa, 1965 (81) (Mário Beja Santos)

segunda-feira, 6 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27894: Notas de leitura (1911): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (2) (Mário Beja Santos)


1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 2 de Dezembro de 2025:

Queridos amigos,
Tenho para mim que estas cartas entre pais e filhos, e as memórias que deixaram, possuem um natural encanto e abrem uma nova janela à investigação. Julguei à partida que se tratava de uma incursão original, acabo agora de saber, por email recebido do Dr. João Horta, da Biblioteca da Liga dos Combatentes que há investidas precedentes, a saber: «Nós, os filhos da Guerra» referente a memórias de Frederico Valarinho, Âncora Editora, e «Sobretudo a Agonia – Angola, Memórias de uma Guerra Íntima» da autoria de Celso Braga Rosa, Edições Afrontamento. O livro Querido Pai, ainda vai dar pano para mangas, depois atiro-me a estas duas obras aqui referidas. Se porventura o leitor conhecer mais iniciativas desta índole, peço-lhe a amabilidade de me indicar o título e a editora.

Abraço do
Mário



Olhe que o pai faz muita falta. Foi com a sua comissão que eu aprendi o quanto custa o estar longe e só e para nós o sofrimento não se compara com o seu – 2

Mário Beja Santos

Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975, por Ana Vargas e Joana Pontes, Tinta da China, 2025, é um livro arrebatador, profundamente terno, e, tanto quanto me é dado de saber, preenche uma lacuna no campo da investigação.

Damos seguimento às conversas já havidas com Albano Mendes de Matos e José Afonso da Silva Neto, entra agora na nossa sala de conversa Hernâni Pereira da Silva Anjos, foi oficial do Quadro Permanente, a filha mais nova, Alexandra, refere o pai como pessoa com grandes interesses culturais e intervenções literárias. Fala do casamento dos pais que se tinham conhecido na Índia, era então capitão, já tinha feito uma comissão em Macau. A filha não consegue encontrar a razão pela qual o pai ficou sete anos na Índia.

Hernâni é promovido a major e mobilizado para Angola, parte com a família em 1964. Quatro meses após o regresso a Angola é mobilizado para a quarta comissão, em Moçambique, a família já não o acompanha. Ao longo da comissão vai escrevendo à filha tratando-a sempre por “minha muito adorada filhinha”, diz coisas como estas: “Tu ainda te lembras de mim? Sabes como eu me chamo? Lembras-te das brincadeiras que eu tinha contigo? Sabes tu, minha filhinha, que eu ando com os vossos retratinhos no bolso e todos os dias os vejo várias vezes?” Hernâni adoece e é internado, o hospital militar deteta, na sequência de problemas de coração será evacuado para Lourenço Marques e depois para Lisboa. Quando chega, Alexandra é avisada na escola “Pego na pasta e já fui, de bata vestida. Cheguei e estava lá aquele homem, para mim era um estranho. É tudo relativo para uma criança, um ano é uma eternidade, quanto mais dois.”

Segundo a filha, o pai chegou a ser violento com a mulher, houve divórcio, o pai morreu depois de uma operação ao coração. Após a morte da mãe, Alexandra ficou com uma pequena caixa de madeira onde estão guardadas as cartas que os pais trocaram entre si. Alexandra não teve coragem para as ler.

Temos agora a história de Mário Umberto Faria pela narrativa de seu filho Paulo, escritor e tradutor. "Sempre Excelentes e Valorosos" são as palavras que definem a divisa do Batalhão de Caçadores 1939, constituído por 632 homens incluindo três médicos milicianos e um capelão. Um dos médicos é Mário Faria, o destino é Moçambique. Mário parte com 29 anos e deixa a família em Lisboa, três filhos pequenos e a mulher grávida.

A Companhia de Caçadores 1798, a que pertence Mário, parte para Muôco, Mário permanecerá em Moçambique 796 dias. Observa Paulo:
“O meu pai escrevia muito à minha mãe. E a minha mãe escrevia muito ao meu pai. Escreviam muito, talvez duas mil cartas e aerogramas. Pelo que a minha mãe me contou, ficou tudo guardado num saco, um saco enorme que estava na dispensa da casa onde nós morávamos. E, numa dada altura, mudámos para este prédio, onde hoje ainda moro. Nessa mudança, pelo que a minha mãe me contou, estavam a arrumar a casa e a certa altura a minha mãe apercebe-se de que o meu pai sai. Ele sai e ela tem um pressentimento e vai à dispensa ver o saco. O saco já não estava lá. O meu pai, sem dizer nada pôs o saco no lixo. O meu pai já devia ter decidido, na cabeça dele, que queria virar aquela página, não queria que ninguém visse aquilo.”

Segundo Paulo, o pai escrevia para todos sem distinção dos filhos, escrevia com muita frequência, e vai identificando sempre o lugar onde está e data a correspondência. Enumera os presentes que compra para os filhos, deles vai recendo notícias. Faz desenhos na correspondência. E o pai regressa, e Paulo rememora. Existe a história da unidade e Paulo conversou com os homens da Companhia a que o pai pertenceu.

Mário nunca falou a sós com o filho sobre a guerra. Voltando ao assunto da destruição das cartas, Paulo observa: “Ele deve ter contado coisas que o impressionaram muito, o suicídio do tal soldado, provavelmente ter-lhe-á contado a história da consulta que fez e dos seus remorsos… E, portanto, ele não queria que alguém fosse depois ler aquilo, queria contar a história à sua maneira, com distanciamento e com calma. Era uma pessoa que se controlava, um homem de ferro, só o vi comovido no funeral da mãe, foi a única altura.”

Paulo ficou com as agendas do pai, e assim pode ler que Mário vacinou centenas de nativos contra a varíola, anotava quantas unidades de vacina ele recebia na Companhia, e quando se deslocava aos aldeamentos para as administrar. Foi nessas agendas que Paulo soube do soldado que se suicidou. Mário escreveu na agenda, na circunstância: “Dia mais negro da comissão até agora. Sinto-me o mais infeliz dos homens por me ver metido nesta porcaria. Poderei vir a esquecer o dia de hoje?”. Mário nunca foi aos almoços de confraternização com os militares da sua Companhia ou do Batalhão. Paulo começou a ir após a morte do pai. Aquele médico, como muitos outros, estava numa posição sempre difícil, havia muita gente a querer que ele os livrasse de irem para o mato.

Quando a conversa termina, Paulo arruma as fotografias dispersas, reúne as agendas e os papéis que mostrara e diz às autoras: “A guerra, no fundo, foi uma maneira de chegar ao meu pai. Digamos assim, foi uma espécie de atalho. Quando o meu pai morreu, percebi que tinha de escrever sobre ele.”

Iremos seguidamente falar de Abílio Santiago Cardoso, oficial de artilharia, com três comissões e de Amável Velez Serra que se alistou como voluntário aos 19 anos de idade, concluiu a escola do Exército.

Ana Vargas e Joana Pontes
A família de Albano de Matos. A neta Inês, a mulher Judite e a filha Rita, assunto que se abordou no texto anterior, fotografia do jornal Expresso, com a devida vénia

(continua)
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Notas do editor

Vd. post de 30 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27872: Notas de leitura (1909): "Querido Pai, uma conversa entre ausentes – Cartas da guerra 1961-1975", por Ana Vargas e Joana Pontes; Tinta da China, 2025 (1) (Mário Beja Santos)

Último post da série de 3 de abril de 2026 > Guiné 61/74 - P27885: Notas de leitura (1910): "Portugal em África depois de 1851 (Subsídios para a História)", pelo Marquês do Lavradio; edição da Agência Geral das Colónias, 1936 (9) (Mário Beja Santos)

sábado, 4 de abril de 2026

Guiné 61/74 - P27889: Os nossos seres, saberes e lazeres (729): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250): Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais (Mário Beja Santos)

Mário Beja Santos, ex-Alf Mil Inf
CMDT Pel Caç Nat 52

1. Mensagem do nosso camarada Mário Beja Santos (ex-Alf Mil Inf, CMDT do Pel Caç Nat 52, Missirá, Finete e Bambadinca, 1968/70), com data de 17 de Março de 2026:

Queridos amigos,
Sim, é de facto o menos conhecido de todos os antigos palácios reais. Há, contudo, uma razão de ser. Foi, ao longo de quase duzentos anos, uma quinta de veraneio, lugar de reis e princesas. Marca-o a singularidade de ter sido o único palácio a resistir intacto ao terramoto, facto que não lhe alterou a discrição. Aqui viveram D. Carlos e D. Amélia enquanto foi rei D. Luís. Com a República, instalou-se aqui a presidência, foi escolhido para a residência oficial do Chefe de Estado. Mas continuou fora dos circuitos de visita, incluindo o Estado Novo. Foi na presidência do General Ramalho Eanes que o Palácio de Belém abriu as suas portas ao público. Com Mário Soares e Jorge Sampaio a utilizar o Palácio de Belém exclusivamente como local de trabalho, houve uma vontade de aproximação aos cidadãos, mais tarde com substanciado na criação do Museu da Presidência da República. Está belissimamente conservado e pode muito bem acontecer que na visita guiada onde estiver o leitor apareça ali de rompante o novo inquilino, quando os visitantes estiverem no gabinete de trabalho do Presidente, frente à mesa onde ele às terças-feiras recebe o Primeiro-ministro.

Um abraço do
Mário



Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (250):
Palácio de Belém, o menos conhecido de todos os antigos palácios reais

Mário Beja Santos

Era uma visita guiada, não quis perder a oportunidade de conhecer o Palácio depois de visitar o Museu da Presidência; os antigos combatentes têm visita gratuita. O Palácio é monumento nacional desde 2007 e desde 1910 é sede da instituição presidencial. Na livraria do Museu deu-me para comprar um livro sobre os azulejos, estuques e tetos do Palácio de Belém. Foi aqui que fiquei a saber que é o único Palácio que resistiu intacto ao terramoto de 1855. Dá-se a explicação que o Palácio tinha uma importância inconstante no conjunto dos restantes palácios reais, os constrangimentos continuaram pelo facto de ser a residência oficial do Chefe de Estado. Esteve até recentemente fora dos circuitos de visita. Foi no segundo mandato do General Ramalho Eanes que o Palácio abriu as suas portas ao público. Mário Soares e Jorge Sampaio passaram a utilizar o Palácio de Belém exclusivamente como local de trabalho. A abertura do Museu e a inclusão do Palácio nos circuitos de visita motivaram um crescente interesse em estudar todo o património e daí as monografias sobre todo o seu acervo, caso desta dedicada aos azulejos, estuques e tetos.

O Museu da Presidência detém milhares de peças, entre objetos pessoais, retratos, presentes de Estado e condecorações. O seu Arquivo integra milhares de documentos que testemunham a vida publica e familiar da maioria dos Presidentes da República. Este Museu também tem a seu cargo a valorização do Palácio da Cidadela de Cascais, bem como uma significativa coleção de carros que serviram os Presidentes da República, a coleção está exposta no Porto, no Museu de Alfandega.

A visita permite conhecer a galeria dos retratos oficiais, os símbolos nacionais associados à República, os presentes de Estado, as Ordens Honoríficas e o acervo dos trabalhos de Paula Rego para os quadros que estão expostos na capela do Palácio.

Posta a visita ao Museu da Presidência segui para o Palácio de Belém, começou-se pelo Jardim do Buxo e pela varanda, obviamente que se entrou pela Sala das Bicas.

As galerias com os retratos dos Presidentes da República. Na altura da minha visita ainda não tinha sido colocado o retrato do Presidente Marcelo Rebelo de Sousa feito por Vhils, rompendo com a tradição de quadros com pinturas a óleo, desta feita elaborado com troços de jornais.
Jardim do Buxo, vendo-se ao fundo, antes da estátua de Afonso de Albuquerque, o Tejo
Na varanda do Palácio de Belém estão patentes uma série de painéis, os maiores representam dois dos doze episódios dos trabalhos de Hércules, são dos últimos anos do século XVII, com restauros dos séculos XVIII e XX. Neste painel temos Hércules lutando com uma das aves de rapina do lago de Estinfália, na Arcádia, episódio relativo ao sexto trabalho. O herói recebeu ordens para expulsar do lago as terríveis aves com o bico de bronze. Neste painel azulejar ele é representado em pé armado da habitual clava com a qual tenta suprimir o animal.
Este painel evoca o segundo trabalho do herói, de pé, enfrenta e mata a hidra de Lerna, serpente aquática de sete cabeças. Ele veste a pele de leão e levanta a clava em direção à serpente.
Neste painel temos Hércules e a égua de Diomedes, ilustração do oitavo trabalho do herói que tem como missão eliminar as éguas do rei Diomedes, animais selvagens que se alimentavam de carne humana, o herói é representado de pé tentado dominar o equídeo. Na mão direita, ele segura a clava e na esquerda segura a corrente com a qual prende a égua pelo bridão. Hércules veste já a pele do leão de Nemeia, foi o seu primeiro trabalho.

A publicação que eu adquiri sobre azulejos estuques e tetos do Palácio de Belém refere que no século XIX houve um notório desinteresse pelos azulejos. Tanto a varanda como a Sala das Bicas são referidas sem se abordar o azulejo. Foi necessário chegar ao adiantado século XX para se ouvirem comentários altamente elogiosos, como o do arquiteto e historiador de arte Aires de Carvalho que, a propósito dos azulejos da fachada que terão sido colocados em 1778, conclui: “Esses belíssimos painéis de azulejos que felizmente ainda perduram e são inspirados em gravuras seiscentistas com assuntos mitológicos, se não conhecêssemos as contas e que foram pintados expressamente para aplicar nos espaços entre portas e janelas, poderíamos pensar que seriam originais e do século XVII.” Os azulejos da fachada estão dispostos em 14 painéis de grandes dimensões. Cada apinel representa em tamanho natural, uma figura mitológica. Este conjunto tem sido descrito, erradamente, como uma ilustração de Hércules, porque Hércules é, com efeito, a figura que mais se destaca e que é representada em vários painéis.

Confesso que me emocionei profundamente com esta capela do Palácio que alberga oito obras de Paula Rego denominadas O Ciclo de Vida da Virgem Maria. O Presidente Jorge Sampaio não apreciava grandemente esta capela vazia e numa visita a Londres, em 2002, convidou a artista a tal desempenho, ela aceitou prontamente, no Museu da Presidência podemos ver o acervo dos esboços, mas é na capela que podemos testemunhar a genialidade destas oito pinturas a pastel.
Quem vai ser recebido pelo Presidente da República entra no Palácio pela Sala das Bicas, é aquela que vemos mais frequentemente na televisão. Chama-se assim por ter ao fundo duas bicas que deitam água para umas bacias de pedra. A Sala das Bicas também dá acesso à Arrábida, isto é, a zona reservada à vida privada do dia-a-dia do Presidente da República, ele tem direito de morar aqui com a sua família ou sozinho.
A Sala Dourada precede as Salas Império e dos Embaixadores. É uma sala sumptuosa, com mobília encomendada para o casamento do Príncipe D. Carlos, em 1886. Num quadro da escola de Rubens, Cristo triunfando sobre a morte.
No Jardim da Cascata temos os viveiros que D. Maria I mandou construir para os seus pássaros exóticos. Por baixo deste jardim encontram-se as jaulas onde antigamente viviam leões e outros animais ferozes.
O Palácio de Belém conserva nos salões nobres um diversificado conjunto de tetos decorados que incluem um belíssimo exemplar ornamental barroco, que aqui se mostra, está na Sala das Bicas, mas há igualmente teto com pintura mitológica na Sala Dourada, teto com revestimento neoclássico na Sala Império, isto é só uma lembrança para que quando for visitar o Palácio de Belém não se esqueça de olhar para cima.
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Nota do editor

Último post da série de 28 de março de 2026 > Guiné 61/74 - P27866: Os nossos seres, saberes e lazeres (728): Itinerâncias avulsas… Mas saudades sem conto (249): Notícia póstuma de uma notável exposição dedicada a Rogério Ribeiro - 2 (Mário Beja Santos)